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Livro dos Anjos e das Bestas, O
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Livro dos Anjos e das Bestas, O

Ref: z00086

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Ramon Llull

Zéfiro
16 x 23 cm - 160 pp

O Livro das Bestas, exemplo da tradição dos bestiários medievais, é uma obra pioneira no seu género, tratando-se do primeiro esboço de uma novela filosófico-social representativa da Europa medieval.

Escrita entre 1274 e 1289, aquando da primeira visita de Ramon Llull a Paris, esta obra é uma compilação de dois livros:

• o Livro dos Anjos que, apresentando argumentos para provar e compreender racionalmente a essência divina e angélica, está na linha espiritual de místicos como S. Bernardo, Santo António de Lisboa e S. Francisco de Assis;

• e o Livro das Bestas que, à luz da alegoria, retrata-nos os comportamentos dos animais em relação ao poder que, transposto para a realidade humana, expressa as suas paixões, os seus vícios e a subversão dos valores; a ordem natural das coisas e do mundo apenas será restabelecida quando se retornar à prática da virtude.

Ramon Llull, um dos grandes filósofos e místicos medievais, levou uma vida errante de iniciação nos mistérios da Alquimia. Numa era marcada fortemente pelos ideais da Cavalaria e, em particular, pela Ordem dos Templários, Ramon Lllull jurou perante papas e soberanos ter encontrado a fórmula de harmonizar as três religiões monoteístas: o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo.

Ramon Llull (em catalão), também conhecido como Raimundo Lúlio, nasceu em Palma de Maiorca em 1235(?) e faleceu em 1315(?), com cerca de 80 anos de idade. Discípulo de Arnaldo de Vilanova, foi o mais importante escritor, filósofo, poeta, teólogo e místico de língua catalã. Na sua juventude, Llull levou uma vida frívola e dissoluta; gostava de compor trovas e poemas para as raparigas da região, envolvendo-se facilmente com elas. Aos 22 anos casou-se com Blanca Picany, que lhe deu dois filhos, Domingos e Madalena. O casamento, no entanto, não tornou Llull mais sensato. «Apesar da ajuda que recebi dos anjos e das pregações dos religiosos», conta-nos na sua autobiografia, «cheguei a ser o pior dos homens e o maior pecador desta cidade e arredores». Em 1265, com trinta anos de idade, a vida de Llull sofreu uma profunda transformação. Estando uma noite entretido a compor rimas para uma dama que então «amava loucamente», de súbito apareceu-lhe Jesus crucificado. Durante os dias seguintes, esta aparição repetiu-se outras quatro vezes. Llull, que nunca duvidou da autenticidade dessa visão mística ou teofania, experimentou uma conversão imediata. Conhecido, em vida, pelos epítetos de Arabicus Christianus, Doctor Inspiratus ou Doctor Illuminatus, Llull é uma das personalidades mais fascinantes e avançadas da Idade Média nos campos filosófico, espiritual, teológico e literário. Em pleno período histórico dos Templários, o filósofo e místico maiorquino levou uma vida errante de iniciação nos mistérios da Alquimia, jurando perante soberanos e papas que encontrou a fórmula para harmonizar as três religiões monoteístas: cristã, muçulmana e judaica, integrando conhecimentos das ciências e da teologia. A sua profícua actividade literária traduziu-se em mais de 150 obras científicas, teológicas e pedagógicas, escritas em latim, mas também, e sobretudo, em árabe e catalão. Essa sua obra imensa é uma curiosa mescla de misticismo ocultista, erudição científica e filosofia da acção. No estranho romance filosófico Llibre de Meraveles (Livro das Maravilhas) – cujo sétimo livro é, precisamente, o Livro das Bestas –, o mundo decompõe-se em alegorias, e o mais estranho romance luliano, Blanquerna exalta a dissolução do mundo real (tal como o entendemos com a nossa consciência física) pela mística. A síntese da sua vida encontra-se num dos seus Mil Provérbios: «Quem disputa com Deus, será vencido; mas o místico pretende mesmo ser vencido por Deus.» E ainda: «A própria fé suscita no crente as razões necessárias que a justificam.» A vida de Ramon Llull, como a de outros grandes homens, foi extremamente simples. É como se nele existisse um único pensamento, sempre idêntico, querendo abranger todas as verdades; e uma única intenção, extraordinariamente pura, orientando toda a sua vida para a prática do Bem. Llull, ao longo dos anos, esforçou-se por purificar o seu conhecimento, a fim de que, liberto de todo o erro ou ignorância, unificasse toda a verdade cognoscível. Por outro lado, os seus inúmeros trabalhos, lutas e desafios reflectem apenas uma única coisa: um amor puro e empenhado de um homem simples que viveu de um único pensamento e de um único amor.

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